Fria rosa que nasce do jardim enfado dos meus sonhos,
Deflora minha alma a cada instante no meu vôo falho,
Desdenhas da tênue luz existente que banha meus anseios,
Esperas que ande a esmo pela escuridão de minha jornada?
A treva manta que me aconchega zela pelos meus erros,
A lua farta reflete a cruz pendurada ao meu peito em chamas,
E suas sombras formam artes para alimentar meus tormentos,
Esperas que o devaneio turve minha visão nas enseadas?
Irei rumo aos braços da inexistência que entranha meus dias,
E desferir-te-ei um golpe certeiro vindo de minha espada,
Espada esta que retirei de seus trais espinhos cinzelados,
Esperas que me corte no sossego gélido que amiga minha sina?
Serei como o lanho que a tanto fizeste em minhas feridas,
Nos dias em que desprevenido vitimei-me a sua beleza,
Cegou-me de amores pelo vão veneno que abrigas,
Esperas que a revolta bria que me fizestes ficará ilesa?
Aguardo somente a oportunidade que abriga ao seu sono,
Sono este que envaidecido, atraiçoa-te ao desfrute,
Não mais o medo que me habita será mais forte,
Esperas que novamente em vil momento eu perca a luta?
Abdico de minha progênie em busca de me vingar,
Pois companheira és daquele que enganastes,
Na serena entrevada que me motiva a continuar,
Esperas que recorra às vistas turvas que me causastes?
Arraigou-se na terra sôfrega das minhas vontades,
E em lá fez sua morada desapropriando-me dos meus restos,
Acolhi-te em meu coração servo quando derramastes o veneno,
Esperas que servirá de redime a beleza que expeles?
Evoco neste momento toda a valentia que me roubastes,
Para enfim deitar-me em relento sono profundo,
Aponto a espada para meu cerne e a enfio,
E seu veneno esvaecerá pelo pântano impune.
E neste último momento que em me silencio,
Vejo a morte levar-me ao vale do desamparo,
Pois mereço o desfecho que me assola em martírios,
E reconheço o mal, que represento a minha caridade...