sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Inexorabilis

Num determinado contexto as xícaras se quebraram, ouvidos se ensurdeceram, e em algum lugar se fazia festa, infesta, nefasta. Um garoto surge com seu olhar medonho, um homem e seu pranto, e ambos, prisioneiros do mesmo altar. Já não seria tarde se fosse o contrário. Também não seria cedo se o presente errante se inumasse no sentimento de tédio. Vítimas que se prendem na inferioridade de si próprios, ou que são forçados a tal. Ainda sim no horizonte o sol se repropõe como sempre faz aquele que se desmente. Mas ainda nesta fonte se banha o clamor, que desentranha a negação, que fere a descrença, que adentra o vazio para preencher a dor, e ao mesmo tempo, fere com a lâmina do perdão. A eternidade em sua inquietude nunca será suficiente para explicar tal destino, e o desatino toma o seu lugar como se fosse uma personagem a enaltecer a vida fictícia. Neste intervalo o mar vermelho corre como as infinitas serpentes a se consumirem. Isso é somente o temor, esse faz com que o solícito perdão se perca num amanhã cinzento e imoral. Aquela faixa vermelha se forma cada vez mais intrusa e enraivecida, enquanto a outra apenas em superfície. Perene deserto onde humanos se consomem imersos em utopia, e os lobos se alimentam, alienam-se nos mais fartos banquetes. Alguns apenas esperam ver o eclipse, outros apenas a lua, seguido de um póstumo sono.

Enquanto as falas se vagueiam corpos estendem-se ao chão, servos iludidos se desconhecem. O tato amargo se deleita ao ego, triste e só. Num instante da vida o filme se torna claro, semblantes renascem ao ilusório. Os desgostosos tardios compartilham-se no contexto, que é enfeitado pelos sussurros remanescentes. Ainda alegra-se o turvo, longe da descrença condicionada. Esse possui monólogos convictos, que se desmentem nas próprias palavras. Uma carta é escrita em papiros ventoinhos e levada além, distante de ambas as suposições, em brilhos que se buscam em tempos desconexos, entre as flores que renascem aguadas pelo ínfimo.

Ainda que haja coragem para um último suspiro, a pestilência se impregna nas mãos, sendo que um movimento contrário finda numa consciência vazia. Um olhar incógnito vislumbra o horizonte, como se alcançasse as intempéries futuras. Mais conformador do que frio se faz um toque, que insistentemente atenta para o desfecho, enquanto algumas palavras sussurradas vão desaparecendo levemente em meio às rajadas. O vão desnudo que banha, se esvai seguindo o seu irremediável curso rumo ao caos. A correnteza brinda em seu fluxo a liberdade, pois irá regar a frígida flor do jardim em chamas. As nuvens cinzentas anunciam a tempestade que está por vir, pois nada como lavar a alma depois de um fim irremediável.

Vão caindo as primeiras gotas, diluindo a névoa que sobrecarregada foi pelos caminhos da indiferença. O destino severo se justifica em atos brandos, ou discursos enfadonhos, retrata a mesma frieza que aprisiona o desdenho. A festa se concretiza em dizeres rebuscados, e palmas fervorosas abrilhantam o espetáculo, para que assim se comemore a ignorância. Um brinde aos trapos desumanos que vagueiam pelas causas sem causas, seguindo ordens e desmandos, despindo-se de qualquer migalha de humanidade. Diante de trôpegos ensejos e seus proventos, os convoles célebres se desentranham em suas atitudes. As guerras, por envaidecerem-se mantêm-se presas às diligências que trafegam, para onde o vulto voa alem.

O dia seguinte vem como um anoitecer, provido de penumbra e dor. A mesma noite que deveria embalsamar os sonhos cria os subterfúgios para a liberdade. Através de contos sagrados, a vingança deveras se justifica no viés do injustificável. A lânguida e atroz faceta permeia em defesa de sua hostilidade. Em meio às labaredas que queimam ao peito, o furor ultrapassa as celas corpóreas. O fardo de viver pesa toneladas abstratas, desencadeadas pelo concretismo sevo. Poderia caracterizar-se como um concretismo inumano, mas sua gênese seria ignorada desta forma. A cortina cinzenta age como uma viseira, guiando mentes e visões à opacidade.

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